Internet móvel – A tecnologia 3G é o impulso que falta(va)?

A grande aposta das operadoras é que a tecnologia 3G gere um novo mercado de produtos e serviços. É por isso que algumas empresas estão pagando alguns bilhões de dólares pela licença da freqüencia. Na Inglaterra, a quantia paga ao governo chegou a US$ 35 bilhões, mais de US$ 600 por habitante.

A grande questão é: Como recuperar todo este valor nas tarifas de serviços e produtos? Será realmente possível obter lucro com a terceira geração? De onde virá o dinheiro para as operadoras de terceira geração? Analisando o mercado observamos alguns problemas potenciais. Vamos discutir algumas das várias fontes de receita.

As receitas obtidas pelas ligações telefônicas tradicionais não podem ficar muito acima da receita média atual, pois ter e falar em celulares 3G não pode ser mais caro simplesmente porque a geração é mais moderna.

O acesso à Internet, ainda incipiente na tecnologia móvel atual, tenderá a crescer à medida que os sistemas fiquem sempre conectados (tecnologia de pacotes). Mas o acesso à Internet também não pode custar muito caro, pois um valor elevado desestimularia o mercado.

Um possível cenário a longo prazo, à medida que a 3G se popularizar, com a oferta de alta velocidade de banda, é o mercado substituir os telefones fixos por móveis e assim parte da receita da telefonia fixa se deslocaria para as operadoras de 3G. Mas esta receita por si só não pagará os elevadíssimos gastos com aquisição de licenças e construção das redes. É necessário muito mais!

Mobile commerce

Entra em cena o mobile commerce. Analistas da indústria estimam que este será um mercado de bilhões de dólares. Infelizmente as experiências com WAP foram frustrantes e será necessário um grande esforço de marketing para convencer o mercado de que a 3G será diferente e que as limitações atuais não mais existirão.

Os negócios wireless de sucesso serão aqueles que explorarem o potencial único da mobilidade, oferecendo vantagens e facilidades com as quais a telefonia fixa não poderá competir.

Mas, com certeza, nem toda transação comercial poderá ser feita por telefones móveis. Algumas delas, como as emergenciais, terão apelo positivo, mas as compras de produtos, de preços mais elevados – que exigem maior cautela – dificilmente serão realizadas via celulares.

Assim, se a receita da operadora vier de uma taxa cobrada por cada transação realizada, o volume de transações de pequeno valor deverá ser muito grande, para que a quantidade gere a receita adequada para compensar os altos investimentos realizados.

O uso de celulares para operações bancárias não deve gerar receitas adicionais para os bancos, pois simplesmente vai substituir serviços já realizados através de outros meios, como telefones fixos e desktops. Para as operadoras, isso significa redução no uso de telefones fixos, substituídos por operações via celulares.

E qual será a receita que as operadores 3G conseguirão com estes serviços? Como o grande apelo da 3G é a cobrança por bits transmitidos e não por air time, e como uma transferência de conta corrente efetuada por um celular 3G não poderá ter uma tarifa maior do que a realizada por um celular atual ou por um telefone fixo, os bancos não poderão repassar um volume grande de dinheiro para a operadora, pelo uso da rede 3G para esta operação.

No seu bolso

Uma outra possibilidade é a prestação de serviço. Vamos falar do sempre presente exemplo da propaganda que explora a localização geográfica e avisa ao cliente que a pizzaria próxima a ele oferece um promoção imperdível.

A receita da operadora deverá vir da pizzaria (que pagará pela publicidade on-line) e eventualmente do próprio cliente, que pagará um taxa para receber tais promoções personalizadas. A questão é saber se o cliente aceitará pagar para receber a propaganda e se a pizzaria terá volume de caixa suficiente para compensar os gastos com a propaganda.

Há também alternativas de serviços específicos, como informações meteorológicas, de trânsito, alertas quanto a atraso de vôos, etc, mas novamente aparece a questão da receita para as operadoras. Quanto seria possível cobrar por uma informação de trânsito? E quantas informações deste tipo devem ser fornecidas para que o serviço seja compensador?

Em resumo, a terceira geração ainda é uma grande promessa e à medida que os modelos de negócio começam a ser melhor desenhados, as dificuldades ficam ainda maiores. E a grande questão é: a 3G será realmente um bom negócio ou vai ser um "mico" monumental?

Via Revista TI.


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